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Maria Cristina dos Anjos Rodrigues, 53 anos, casada, 3 filhos, 2 vivos, de Sergipe.

“Nasci em uma cidade pequena em Sergipe chamada Lagarto. Fui criada pelos meus avós e aprendi desde cedo que a gente tinha que ajudar em casa. Bem pequenininha eu já sabia como segurar na enxada. Aos 13 anos, comecei a trabalhar como trabalhadora doméstica para ajudar na renda da família. O trabalho sempre veio à frente dos estudos, então só consegui frequentar escola até a 4 série. Hoje eu não tenho muita leitura, mas é porque nunca sobra tempo.

Minha vontade de trabalhar e ganhar dinheiro pra mim e pra ajudar a família foi o que me motivou a passar por várias casas e migrar sozinha, aos 17 anos, pra São Paulo. A vida não foi fácil, eu tive que aprender a me virar, andar pela cidade, fazer turnos de trabalho bem puxados e sobreviver. Trabalhava em três casas. Entrava na primeira às 08h e ficava até o 12h. Entrava na segunda às 13h e ficava até às 17h. Na terceira casa eu trabalhava das 18h às 23h. Ô, fia, quando você tá precisando, você dá conta.

Tive três filhos, o mais velho nasceu com uma anemia severa e ficou sob os cuidados da minha mãe lá em Sergipe. Mas nunca deixei faltar nada para eles. Todo mês mandava um dinheiro pra minha mãe, enquanto eu estava trabalhando e morando em casa de família em São Paulo. Infelizmente esse meu filho faleceu. Depois conheci meu marido, com quem tive mais dois filhos. Foi nessa época que deixei de morar na casa do patrão e comecei a ir e voltar para o trabalho.

Tive boas patroas, gosto muito do que faço e faço com maior prazer. Passei por várias casas e, numa delas, tive uma patroa que era pedagoga no sindicato das trabalhadoras domésticas. Foi através dela que fiquei sabendo das reuniões e dos meus direitos. Aí eu aprendi muita coisa que eu nem imaginava. O sindicato faz um trabalho muito importante pra gente, sabia? O trabalho da trabalhadora doméstica não é muito valorizado, imagina quando a gente é ignorante?

Hoje eu sei que tenho direito a horário de almoço e pagamento de hora extra. E não fico mais calada, não. Quer que eu passe do meu horário? Tá tudo bem, mas precisa pagar por isso. O sindicato já ajudou muito na nossa realidade, mas ainda falta respeito e valorização do nosso trabalho.

Ainda tenho muito fôlego pra trabalhar, se eu fico dentro de casa eu fico perdidinha. Ainda bem que não preciso mais trabalhar em três casas como antigamente, mas vivo das faxinas. Sempre gostei do meu serviço, tenho prazer em acordar cedo pra ir arrumar a casa dos outros. Tenho boas referências e bons relacionamentos também! Inclusive eu fui até pra casamento de criança que cuidei e como convidada!

Se hoje meus filhos têm muitos cursos e diplomas, sabem falar outras línguas e são educados e encaminhados na vida, é porque eu nunca tive vergonha de limpar um banheiro. E se alguém pergunta pra eles sobre a minha profissão, eu sempre aconselhei: “ ó, fale a verdade, eu sou trabalhadora doméstica. Não há motivos para se envergonhar, muito pelo contrário”.

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